Sábado, nove da manha, ele caminhava pela rua, exercícios sempre fazem bem e devido à vida corrida que teve quando jovem, o coração não era mais como antes. Ele tem 30 anos, casado e sem filhos. Não faz diferença ele apenas quer curtir a vida e trabalhar cada vez mais. Passa um dia após o outro, iguais. A única diferença é que a partir de hoje ele da valor a tudo o que já teve, e que não terá mais. Dormir alivia sua mente, então quando pega no sono acaba acordando em outro lugar, uma cabana estranha, levanta assustado mas não da mais tempo de reagir, ele já estava cercado de medo e terror, seus olhos estão pretos e sua mão treme como se fosse morrer naquele exato momento. Pela janela é observado, enquanto chora desesperado e grita por ajuda sem nem ao menos entender o que é aquele lugar e o que ele estava fazendo ali. Ao sair da cabana se depara com mais 8 pessoas, todas perdidas assim como ele, mas menos desesperadas pois já havia dias que estavam ali.
Onde estou?
Não sabemos, achamos que você poderia saber. - disse um deles.
Desesperado corre para a mata, sem ninguém ter reação. Vai a procura de ajuda. Corre o máximo que pode mas tudo ali é neve e árvores, e tem um homem alto parado na árvore afiando uma faca, aquelas de tirar lã de ovelha, super afiada.
Essa era a ultima lembrança, ao acordar naquele local que cheira sangue, da de cara com um homem, o mais alto que ele já viu com uma faca na mão e um copo de água na outra. Ao fundo várias fotos dele e de sua esposa, fotos roubadas provavelmente, mas como se ele não conhecia esse homem e muito menos entendia o porque dele estar ali. Acordou!
Faz três dias, sempre o mesmo sonho, as mesmas pessoas e o mesmo lugar. São três da manha, e não consigo dormir, aquela imagem sempre me vem na cabeça. Respirar é o que diz o médico, respirar. Não que isso me ajude, mas eu faço, afinal ele é médico.
Já faz três semanas, parece um filme, sonho com as mesmas pessoas todos os dias, e a cada dia que passa, pelo menos uma delas morre, ontem foi a vez do japonês, não sei seu nome, mas ele tinha cara de nerd. Na verdade todos eles têm, mas este era diferente, era todo esperto. Conforme vou sonhando vou conhecendo eles, a luta pela vida. Uma vida que não sei se é real ou ficcional. Na verdade acho que sou um deles, pois vi a criancinha da mulher de cabelos brancos, olhar pra mim, tenho certeza, ela olhou no fundo dos meus olhos e sorriu, eu certamente chorei e acordei assustado. Fui até a policia, médicos, psiquiatras, e por ultimo a uma cartomante, era minha ultima tentativa.
Luabel, seu nome era lindo tanto quanto ela, bateu em minha porta, falando que eu estava a sua procura. Medo senti, mas ao mesmo tempo alivio, ela sabia que eu precisava de ajuda, e não custa nada tentar. Ela entrou e ficou me olhando, eu estava parado, estagnado em sua frente sem saber com agir, ela sentou no sofá, falou que eu precisava dormir, para que ela pudesse trabalhar. Obedeci, fui até a cozinha pegar um calmante, mas ela me impediu:
o sonho tem que ser verdadeiro, ou não poderei ajudar.
Pois bem, vamos jantar, conversar e depois eu durmo.
Ainda eram sete da noite e eu não tinha sono, e nem pensava em dormir. Jantamos, tomamos um vinho e eu comecei a sentir sono, afinal o tempo passo e já eram quase 11 da noite, fui até o sofá e dormi como uma criança, até que tudo começou.
Estava frio, eu sinto o que eles sentem e não consigo acordar. Agora eu sou um deles.
Por Caroline Kirschner